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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Tecer


"A Lua que harmoniza
a vida por inteira
tece minha ilha
com sede de roseiras
cria voôs em sonhos
cria poses de ilusão

A Nuvem que impede
a chama do casebre
no harem que anoitece
de ser 'inda mais alegre
tece a ilha de sonhos
tece a noite de ilusão

provar
o doce de muitas fontes
o mel enjaulado
fazer o possível
e crescer
minha mortalidade

até que venha à alma
deste harem mais belo
desta chama cálida
deste frio terno..."

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Na Fila da Liberdade



"É interessante notar as diferenças em filas, de um lugar para o outro. Em Florianópolis, por exemplo, tanto nas filas de banco como de supermercado, as pessoas ficam conversando, com calma, esperando. Mesmo no Rio de Janeiro, enfrenta-se uma fila com mais humor.

Em São Paulo, a fila é uma tortura. A fila é triste e interminável. Parece que, se fosse possível, a gente mataria aqueles quatro ou cinco que estão na nossa frente. E, se alguém conversa com alguém, o assunto é a própria fila. Uns chegam a dizer palavras chulas. Xingam, como se a culpa fosse da pobre mocinha que está do outro lado da fila, muito mais aflita que os filenses.

Pois foi numa dessas filas que o fato se deu.

Era uma bela fila, de umas dez pessoas. E em supermercado, com aqueles carrinhos lotados, a gente ali olhando a mocinha tirar latinha por latinha, rolo por rolo de papel higiênico, aquela coisa que não tem fim mesmo. E naquela fila tinha um garotinho de uns dez anos, que existe apenas uma palavra para definir a figurinha: um pentelho. Como muito bem define o Houaiss: “pessoa que exaspera com sua presença, que importuna, que não dá paz aos outros”.

Pois ali estava o pentelhinho no auge de sua pentelhação. Quanto mais demorava, mais ele se aprimorava. E a mãe, ao lado, impassível. Chegou uma hora que o garoto começou a mexer nas compras dos outros. Tirar leite condensado de um carrinho e colocar no outro. Gritava, ria, dava piruetas. Era o reizinho da fila. E a mãe, não era com ela.

Na fila ao lado (aquela de velhos, deficientes e grávidas), tinha um casal de velhinhos. Mas velhinhos mesmo, de mãos dadas. Ali, pelo oitenta anos. A velhinha, não aguentando mais a situação, resolveu tomar as dores de todos e foi falar com a mãe. Que ela desse um jeito no garoto, que ela tomasse uma providência. No que a mãe, de alto e bom tom:

- Educo meu filho assim, minha senhora. Com liberdade, sem repressão. Meu filho é livre e feliz. É assim que se deve educar as crianças hoje em dia.

A velhinha ainda ameaçou dizer alguma coisa, mas se sentiu antiga, ultrapassada. Voltou para a sua fila. Só que não encontrou o seu marido, que havia sumido.

Não demorou muito e voltou o marido com um galão de água de cinco litros e, calmamente se aproximou da mãe do pentelho, abriu e entornou tudo na cabeça da mulher.

- O que é isso, meu senhor?

O velhinho colocou o vasilhame (que palavra antiga) no seu carrinho e enquanto a mulher esbravejava e o pentelho morria de rir, disse bem alto:

- Também fui educado com liberdade!!!

Foi ovacionado."

-Mario Prata

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os Monges e A Prostituta


Dois monges andavam lado a lado por uma estrada, quando em suas frentes veem uma prostituta ferida jogada no chão, segundo a doutrina de seu monastério eles não poderiam toca-la, mas mesmo assim, um deles a pega no colo e a carrega por seu caminho até não conseguir mais, então, ele a coloca no chão e segue viagem.
certo tempo depois ainda caminhando, o segundo monge fala ao primeiro
"irmão, porque tocaste em uma mulher tão impura? porque a carregaste? devia tê-la abandonado a própria sorte como é próprio de alguem como nós , devia ter deixado ela lá"
então o primeiro monge respondeu
"Eu a deixei lá atrás, mas tu, tu a carregas até agora."
e assim prosseguiram viagem.

O Pequeno Príncipe e o Bêbado


O planeta seguinte era habitado por um bêbado. Esta visita foi muito curta, mas mergulhou o principezinho numa profunda melancolia.

- Que fazes aí? perguntou ao bêbado, silenciosamente instalado diante de uma coleção de garrafas vazias e uma coleção de garrafas cheias.
- Eu bebo, respondeu o bêbado, com ar lúgubre.
- Por que é que bebes? perguntou-lhe o principezinho.
- Para esquecer, respondeu o beberrão.
- Esquecer o quê? indagou o principezinho, que já começava a sentir pena.
- Esquecer que eu tenho vergonha, confessou o bêbado, baixando a cabeça.
- Vergonha de quê? investigou o principezinho, que desejava socorrê-lo.
- Vergonha de beber! concluiu o beberrão, encerrando-se definitivamente no seu silêncio.

E o principezinho foi-se embora, perplexo.

As pessoas grandes são decididamente muito bizarras, dizia de si para si, durante a viagem.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lágrimas de um deus


A coragem brasileira está morta!
somos um povo sem objetivo, inseridos tão profundamente em todo o monte fétido que como um mendigo não distinguimos mais a sujeira de nós mesmos, deixamos os fortes dominarem os fracos de maneiras cruéis como se estivéssemos na idade média, não se deixem enganar pelas falsas regalias dos populistas, a única diferença entre a nossa "democracia" e uma real tirania, é que em nossa a força não é mais medida pela força braçal, mas pelo poder financeiro, e há pior forma de escravizar alguém que pela comida? e há pior forma de tratar indivíduos, do que ignorando o significado da palavra e massificando-os?
as vezes acho necessário voltar no tempo e observar como os povos bárbaros germânicos e nórdicos agiam, para assim termos uma referência para ver o quanto caímos, vajam bem, estes citados povos eram valorosos e corajosos, e quando possuíam um objetivo por menos que fosse o perseguiam com uma determinação inacreditável com uma coragem divina e uma honra inabalável, estes povos não se deixaram dominar e escravizar por nenhuma força invasora, estes povos quando escoliam um guia que julgavam indigno o matavam, estes povos eram livres, e se seu guia os ordenasse fazer algo que não os agradasse eles não acatavam a ordem, pois eles não eram uma massa, mas um conjunto de INDIVÍDUOS agindo pelo bem comum, bom, como veem eles não eram tão "bárbaros" assim no final das contas, devemos ter a coragem de agir como esses povos com determinação e persistência, pois se os deuses desses povos pudessem nos ver hoje, ver no que nos tornamos, ai sim seria possível ver as lágrimas de um deus

-Gilder

Poema


bom , depois de tanto tempo segue um poema que li em 2008 traduzi ele e ai está espero que gostem ao menos um pouco

" nove e a lua
Pensamentos divagantes num pedaço de papel
vai nele uma paixão latente
um relicário ancião de desgraça potente
como um dragão adormecido sobre um tesouro, paciente
o amaço e o junto aos outros, apenas, existente
e quanto ao papel? o guardo, mas a mente fica ao léu

Um palácio vejo ao norte, no céu
lindo flutua em sua graça inexorável
dentro dele está minha alma que voa, incansável
lá se encontra a esperança eterna,intocável,inabalável
porem ao norte lá vai ela inalcansável
e quanto ao palácio? permanece lá , coberto por um véu

Na imensidão inesplorada destaca-se a lua
e no firmamento alcançavel a árvore, linda
abaixo de suas nove pontas sento-me e me sacio ainda
não de frutos, mas de saber, pois a árvore pode ser lida
e quanto a lua? lá ela ainda me fita, toda nua"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ônibus

"Cem almas me observam, todas elas vivas, todas alucinadas, todas elas luxuriosas, todas elas tortas fãs de trova , todas indo para cova
e ninguem se importa, a não ser as vagas almas tortas"